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Autismo em Meninas

O Transtorno do Espectro Autista é diagnosticado 3 a 4 vezes mais em meninos do que em meninas. Se o QI do paciente for baixo, a proporção cai bastante, para 2:1. Isso nos faz pensar…

Estariam as meninas, especialmente as que se encontram na ponta mais ~leve~ do espectro, com QI normal, “flying under the radar”, ou seja, passando despercebidas e não recebendo o seu diagnóstico?

É provável que sim.

Meninos e meninas são diferentes, seja por um efeito biológico ou por construção social. Fato é que as demandas sociais diferem muito. Espera-se que o menino participe de brincadeiras de queda, dar cambalhota, com grupos grandes e estáveis, em jogos competitivos. Das meninas, espera-se que estejam em pequenos grupos, conversando, além de serem ensinadas desde muito cedo sobre qual comportamento devem ter em sociedade.

Meninos com TEA leve (nível 1 de suporte) costumam ser mais ativos e externamente atípicos, com interesses mais atípicos, gerando uma mais fácil identificação.
Há estudos comprovando que meninas com TEA leve até relatam seus interesses aos professores, porém eles reportam menos os seus sintomas, devido a um viés diagnóstico, que é compartilhado por vários profissionais-chave na vida da criança (professores, médicos, psicólogos etc), mantendo estereótipos de gênero de que o TEA é um transtorno de meninos, diminuindo assim sua sensibilidade aos sintomas autistas quando ocorrem em meninas.

Quando possuem cognição adequada: o menino com TEA tem mais comportamentos disruptivos e interesses menos usuais, em comparação com a menina com TEA, que costuma ter sintomas internalizantes maiores (ansiedade, depressão), e interesses fortes, porém compatíveis com os pares.

As próprias ferramentas atualmente utilizadas para diagnóstico, sejam as escalas, ou o exame mental do autismo, foram baseadas em dados de meninos.

Hoje advoga-se que as meninas se utilizam de uma ferramenta de camuflagem: teoria da Camuflagem, e há até uma ferramenta (CAT-Q), questionário para diagnóstico de camuflagem de traços autistas, atualmente validado apenas em inglês.

A capacidade de “camuflar” dificuldades em situações sociais é considerada uma das principais características do fenótipo feminino do TEA leve.

A imitação social, de gestos, expressões, voz de um personagem, permite algum nível de sucesso e enfrentamento, porém gera altos níveis de estresse, ansiedade e exaustão. Por isso, existe a necessidade de diagnóstico precoce, terapias de reabilitação e acompanhamento adequado.

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